Sem pedir licença

Durante décadas, o futebol foi tratado como território masculino por definição. Não por falta de mulheres, mas por excesso de silêncio sobre elas. É dessa distorção, naturalizada por gerações, que parte “Sem pedir licença — Dificuldades, conquistas e a força da presença feminina dentro e fora de campo”. A obra mergulha em um dos espaços mais simbólicos da cultura brasileira para expor o que sempre esteve ali, mas raramente foi ouvido.

A publicação não tenta reescrever a história com heroínas perfeitas nem criar antagonistas fáceis. Vai por outro caminho: observa. Mostra como torcedoras, profissionais e jogadoras ocupam o futebol há muito tempo, mesmo quando foram empurradas para as margens ou simplesmente ignoradas. Ela revela o contraste entre presença e reconhecimento, participação e legitimidade.

Nos estádios, o relato é direto: para muitas mulheres, torcer ainda exige resistência. Não basta vibrar ou conhecer o jogo; é preciso provar que pertence. Entre cantos e celebrações, persistem olhares de desconfiança, questionamentos constantes e o risco do assédio, que transforma o que deveria ser lazer em um espaço de tensão.

Fora das arquibancadas, o cenário não suaviza. Em redações, comissões técnicas e estruturas administrativas, mulheres seguem submetidas a um tipo de cobrança que não recai da mesma forma sobre os homens. Um erro masculino costuma ser tratado como parte do processo. O feminino, frequentemente, vira argumento para deslegitimar trajetórias inteiras.

Sem adotar tom de manual ou julgamento, o autor parte de uma revisão pessoal para ampliar a discussão. Reconhece comportamentos cotidianos, interrupções, suposições, piadas naturalizadas que, somados, ajudam a manter barreiras invisíveis. Ele não oferece respostas prontas, mas incomoda na medida certa: desloca certezas e força o leitor a encarar o futebol como reflexo direto das relações sociais.

A obra percorre estádios, bastidores, imprensa e memória para propor algo simples, mas pouco praticado: escuta. Sem abrir mão da paixão, o livro convida a repensar quem fala, quem é ouvido e quem ainda precisa disputar espaço para existir dentro do jogo.

Mais do que um recorte sobre esporte, ele se coloca como um ponto de partida para uma conversa que o futebol brasileiro adiou por tempo demais.

Autor: Carlos Fernando Rego Monteiro
Formato: 15 x 21 cm
ISBN: 978-85-67831-29-9
Ano de edição: 2026
Peso: 250 g
Preço: R$45,00

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